Associação Universitária de Pesquisa em Psicopatologia Fundamental

São Paulo, 19 de novembro de 2017

Diretoria > Relatório da Diretoria 2012-2014

 

Relatório científico/administrativo de atividades da Associação Universitária de Pesquisa em Psicopatologia Fundamental – 2012 – 2014.

 

Nos últimos dois anos, desde o V Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental e XI Congresso Brasileiro de Psicopatologia Fundamental, realizado em 2012, em Fortaleza, Ceará, Brasil a Associação Universitária de Pesquisa em PsicopatologiaFundamental(AUPPF) apresentou uma série de realizações que precisam ser rememoradas neste relatório científico/administrativo de atividades.

 

Várias dessas realizações já vinham sendo implementadas antes deste período. Mas sofreram importantes alterações e, por isso, estão incluídas neste relatório. Outras, como o acordo internacional entre a Université de Paris 7 – Denis Diderot e a AUPPF, ocorreram no último biênio.

 

Antes, porém, de relatá-las é necessário lembrar que esta sociedade científica internacional é uma organização voluntária privada dedicada à pesquisa científica, ao aperfeiçoamento de pesquisadores, à interlocução e à divulgação da psicopatologia que leva em consideração a subjetividade. Sua natureza voluntária refere-se à forma de participação, que depende da iniciativa daquele que pretende ingressar. Além disso, sua existência é decisão da Assembleia Geral de seus membros. O ingresso não se faz mediante convite, ainda que isso possa eventualmente ocorrer. As credenciais de todos os candidatos são examinadas por uma Comissão de Seleção. Membros honorários são especialmente convidados. Trata-se, portanto, de uma organização cujos proprietários são seus membros. Ela reúne professores doutores universitários de todas as partes do mundo sem levar em consideração a filiação ao Estado,à partido político, à igrejas e nem mesmo à qualquer específica Universidade.

 

Contando, em 2012, com 60 membros,a AUPPF reúne, atualmente (2014), 66 professores doutores de 28 universidades brasileiras e de universidades da Argentina, do Chile, da Colômbia, de Cuba, da França, da Inglaterra (Reino Unido), do México e de Portugal.

 

Pesquisas

 

Além das pesquisas realizadas por cada membro, cujos projetos atualizados encontram-se em www.fundamentalpsychopathology.org.br a AUPPF desenvolve investigações sobre o método clínico, a melancolia e a difusão da Psicopatologia Fundamental.

 

Essas pesquisas são realizações coletivas reunindo professores doutores de várias universidades e obedecendoà coordenação de pesquisador que se responsabiliza pela formulação do projeto, pela articulação das investigações, pelo relatório final e pela divulgação dos resultados. Elas não se constituem, portanto, numa única pesquisa realizada por um grupo, mas de várias pesquisas desenvolvidas por diversos pesquisadores que se relacionam por um tema e seus aspectos psicopatológicos. Este sistema permite maior amplitude e profundidade da pesquisa sobre determinado objeto.

 

O método clínico

 

O projeto sobre o método clínico, iniciado em 2008, contou com auxílio de número 400656/2010-8concedido em 2010 pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do governo do Brasil. Concebido no Colóquio Internacional sobre o Método Clínico realizado em São Paulo, em 2009, que contou com a participação especial dos Profs. Drs. German E. Berrios (University of Cambridge, United Kingdom), Plínio W. Prado (Université de Paris 8 – Saint Denis, Paris, França) eJorge Carlos Holguin Lew (Universidad Nacional de Antioquia, Colombia), foi coordenado por Ana Maria Rudge e Manoel Tosta Berlinck e administrado por Ana Cecília Magtaz.

 

Reconhece, inicialmente, a natureza complexa da psicopatologia – discurso (logos), sobre o pathos psíquico – e procura uma especificidade para o caminho visando o conhecimento dos fenômenos desse campo. De maneira geral, o método clínico se afasta das religiões, das ideologias políticas e de crenças do senso comum que, muitas vezes, impregnam a psicoterapia, e procura construir um discurso preciso e claro sobre a psicopatologia. Neste sentido se afasta da própria psicoterapia, que possui um ideal de tratamento, de cura e até de salvação. Reconhece, por outro lado, que outros discursos, como, por exemplo, o psicanalítico, o médico, o filosófico e o literário, contribuem decisivamente para o método e o conhecimento desse objeto. Em outras palavras, reconhece que não há um único discurso que esgote o significado do pathos psíquico.

 

Assim, a pesquisa distingue ométodo do processo terapêutico propriamente dito ocorrendo na clínica. A atividade clínica, como já foi dito, visa o tratamento e até a cura do paciente, que procura se livrar do pathosassumindo,assim, uma intensa dimensão idealizada assumida pelo psicoterapeuta. O método clínico, por sua vez, depende de relativa distância epistemológica da psicoterapia, uma neutralidade em relação ao pathos, já que está voltado para o conhecimento daquilo que ocorre no âmbito da clínica. O tratamento responde ao desejo de cura do paciente, de se livrar do sofrimento provocado pelo pathos, enquanto o método está voltado para a busca de um caminho em direção a uma construção metapsicológica atendendo a uma vontade de saber. Entretanto, os limites entre psicoterapia e método clínico são obscuros e surpreendentes e precisam ser precisamente esclarecidos, pois aquilo que permite o conhecimento (a psicoterapia) não deve se confundir com o próprio conhecimento. Sabe-se, por exemplo, que a psicoterapia apresenta resultados positivos sem que se tenha avançado no conhecimento sobre o ocorrido. Em resumo, a lógica da psicoterapia não coincide com a do método clínico ainda que as duas estejam intimamente relacionadas e não podem se separar.

 

A primeira versão do projeto sobre o método clínico resultou numa série de trabalhos que se encontram na Revista Latinoamericana dePsicopatologia Fundamental, em outras revistas científicas e em www.fundamentalpsychopathology.org.br

 

Como a primeira versão do projeto resultou numa série de questões relacionadas à sua especificidade, ele prossegue neste momento com a elaboração de uma proposta a ser apresentada até o início de 2015. Tal projeto terá como principal problema de investigação a distinção e semelhança entre psicoterapia e método clínico e seus aspectos contraditórios.

 

A melancolia

 

O projeto sobre a melancolia teve início com a dissertação de Mestrado de Ana Cleide Guedes Moreira (1992),A concepção da melancolia em Freud e Stein:uma interpretação sobre Eva, personagem de Sonata de Outono de Bergmanelaborada no âmbito do Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia Clínica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP) e da tese de doutorado (2000)Um narciso sem (des)culpa: melancolia e AIDS elaborada no âmbito do Laboratório de Psicopatologia Fundamental do Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia Clínica da PUCSP. A dissertação de Mestrado de Ana Cecília Magtaz Scazufca (1998) sobreAbordagem psicanalítica da anorexia e da bulimia como distúrbios da oralidade e a tese de Doutorado (2008) sobre Distúrbios da oralidade na melancolia(www.fundamentalpsychopathology.org.br) realizaram importantes avanços na pesquisa.

 

O projeto resultante recebeu auxílio de número 405496/2012-5 concedido em 2012 pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do governo do Brasil, que termina em dezembro de 2014.

 

Este projetoconta com a coordenação de Manoel Tosta Berlinck e a participação de Domingo Izquierdo izqdomingo@gmail.comdocente da Universidad Diego Portales, Santiago, Chile;Ana Cecília Magtaz acmscaz@uol.com.brProfessora do Curso de Especialização de Psicopatologia da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) e Diretora Administrativa da AUPPF; Dayse Stoklos Malucelli dayse@uol.com.brda Universidade Tuiuti, de Curitiba, Paraná; Ana Cleide Guedes Moreira acleide@uol.com.br da Universidade Federal do Pará; Francisco Pizarro Obaid franpizarro@yahoo.comdocente da Universidad Diego Portales, Satiago, Chile; Silvana Rabellosilvanarabb@hotmail.com da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo;Maria Lucrecia Rovalettimlrova@arnet.com.ar ou mlrova@psi.uba.ar da Universidad de Buenos Aires, Argentina eCristina Lindenmeyer Saint-Martin cristina.lindenmeyer@wanadoo.fr da Université de Paris 7 – Denis Diderot.

 

Parte da seguinte questão: apesar da vasta literatura sobre a melancolia, observa-se a ausência de formulação sistemática e consistente sobre essa manifestação humana. Assim, por exemplo, a melancolia ora é tratada como psicose, ora é tratada como neurose narcísica. Além disso, frequentemente é tratada como sinônimo de depressão quando, já pelo próprio nome, depressão e melancolia se diferenciam. Finalmente, certas manifestações sintomáticas como, por exemplo, distúrbios da oralidade próprios da melancolia são tratados como transtornos alimentares, sem qualquer referência a essa manifestação psicopatológica. Finalmente, a mania é tratada como manifestação distinta da melancolia quando, na verdade, pode ser considerada como parte sintomática desta. Este projeto de pesquisa, utilizando o método clínico, pretende examinar essas controvérsias e formular uma concepção articulada e integrada da melancolia, esclarecendo e propondo uma visão mais específica e esclarecida desta importante manifestação humana.

 

Difusão da Psicopatologia Fundamental

 

O terceiroprojeto de pesquisa que vem sendo desenvolvido na AUPPF refere-se à difusão da Psicopatologia Fundamental e parte do seguinte problema de investigação: a Psicopatologia Fundamental é um novo nome. É desconhecido, portanto, da comunidade científica, que vem, aos poucos, reconhecendo sua existência. Além disso, por ser uma psicopatologia que leva em consideração a subjetividade, enfrenta resistências dos que se opõem a essa abordagem como, por exemplo, os comportamentalistas, os experimentalistas e os biológicos. Encontra resistências dos quantitativos, como os epidemiologistas, especialmente dos que só reconhecem fenômenos representados por números. Encontra, além disso, certa oposição entre fenomenólogos que insistem sobre a natureza objetiva dessa abordagem e não percebem a importante contribuição que podem dar à Psicopatologia Fundamental. Encontra, também, resistências entre psicanalistas que acreditamque sua especialidade possui exclusividade sobre a subjetividade. Finalmente, enfrenta resistências por parte daqueles que insistem na repetição, no mais do mesmo, que dificulta ou impede o avanço do conhecimento através do rigor, da especificidade e da criatividade.

 

Para se afirmar, como campo cientificamente legítimo, a Psicopatologia Fundamental optou por seguir um caminho que acolhe as contribuições das diferentes abordagens sobre o pathos psíquico, respeitando as diferenças. Assim, ela não entra em oposição e segue seu caminho sem entrar em provocações conflituosas, pois acredita na interlocução, ou seja, na locução entre ocupantes de posições diferentes. A principal vantagem desta postura é a reserva de energia que fica disponível para as atividades construtivas.

 

Reconhecendo a relevância de sua posição e a importância de suas pesquisas,desenvolveu um complexo sistema de difusão incluindo: 1.dois portais (sites) (o da AUPPF propriamente dito www.fundamentalpsychopathology.org.br e o do Laboratório de Psicopatologia Fundamental do Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia Clínica da PUCSP, www.psicopatologiafundamental.org com quem mantém íntima relação); 2. Uma mala direta de até 50.000 endereços permanentemente atualizados; 3. Uma newsletter mensal enviada para a mala direta e incluída no portal da AUPPF; 4. A Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental;5. Participação num grande número de bases de dados e participação em associações internacionais, como a World Association of Medical Editors(WAME) e o Commitee on Publication Ethics(COPE), que se ocupam das questões relacionadas à ética das publicações científicas; 6. A Plataforma Internacional de Psicopatologia Fundamental; 7. Acordos de cooperação internacionais; 8. O Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental e o Congresso Brasileiro de Psicopatologia Fundamental.

 

Chegou a hora, entretanto, de se pesquisar e elaborar as diferenças específicas entre a Psicopatologia Fundamental e as posições que apresentam resistências a ela, bem como reconhecer as possíveis contribuições que tais posições podem dar. Assim, por exemplo, a crítica ao DSM já feitaad nauseam precisa dar lugar às possíveis contribuições que esse sistema classificatório pode fornecer para o avanço da Psicopatologia Fundamental. Trata-se de um delicado e complexo trabalho de análise das resistências e de reconhecimento de aspectos positivos.

 

Este projeto, entretanto, foi precedido da construção desse complexo sistema de difusão visando garantir o reconhecimento da Psicopatologia Fundamental pela comunidade científica.

 

Portais (Sites)

 

O portal da AUPPF (www.fundamentalpsychopathology.org.br) reúne uma grande quantidade de informações sobre a associação e seus membros. As atividades desenvolvidas são apresentadas segundo o seguinte sumário: Psicopatologia Fundamental – O que é; A Associação Universitária; Congressos; Colóquios; Encontros Científicos; Laboratório de Saúde Mental; Concurso Pierre Fédida de Ensaios Inéditos de Psicopatologia Fundamental; Periódicos; Produção Científica; Bibliografias; Casos Clínicos; Links; Newsletter; Acordo Internacional entre a Université de Paris 7 – Denis Diderot e a Associação Universitária de Pesquisa em Psicopatologia Fundamental e Plataforma Internacional de Psicopatologia Fundamental.

 

O portal do Laboratório de Psicopatologia Fundamental apresenta praticamente a mesma estrutura e privilegia informações sobre esse grupo de pesquisa, como as dissertações de Mestrado e as teses de Doutorado defendidas em seu âmbito.

 

Esses portais recebem, em média, 55.000 consultas por mês ou 660.000 visitas por anode computadores localizados em diversas partes do mundo.

 

Assim, por exemplo, no primeiro semestre (de janeiro a junho) de 2014, o portal da AUPPF recebeu 140.921 visitas de computadores localizados, por ordem decrescente de frequência, nos USA, Brasil, United Kingdom, Alemanha, Portugal, França, México, Argentina, Ucrânia, China, Espanha e outros com menos de 10 acessos por mês.

 

O portal do Laboratório de Psicopatologia Fundamental recebeu, no mesmo período, 207.037 visitas de computadores localizados, por ordem decrescente de frequência, nos EUA, Brasil, United Kingdom, Portugal, França, México, Argentina, Ucrânia, China, Alemanha, Espanha e outros com menos de 10 acessos por mês.

 

Essas visitas produzem um amplo impacto no mundo da psicopatologia que não pode, pelo menos por enquanto, ser medido já que se observa uma vasta tendência à cópia sem citação. Aliás, diga-se de passagem, as medidas de impacto não são uma preocupação da AUPPF. O que interessa é sermos copiados, imitados, devorados, deglutidos, pensados e até medidos preferencialmente com citações. Em outras palavras, o que importa é que uma crescente influência seja exercida.

 

Para isso, é necessário que haja uma crescente preocupação com a qualidade dos trabalhos divulgados.

 

Em outras palavras, com a difusão da Psicopatologia Fundamental, a questão da qualidade passa a ser um problema de investigação. O que seria um trabalho de qualidade? Quais as principais características de um trabalho de qualidade? Quais as relações entre qualidade e ética? Quais as relações entre qualidade e repetição e qualidade e inovação?

 

Mala direta.

 

A mala direta da AUPPF está limitada a ter 50.000 endereços, dado o custo de sua ampliação. Assim, novos endereços são incluídos na medida em que ocorre saída de existentes. Isso exige um constante trabalho de monitoramento, exclusãoe inclusão de endereços realizado por sua administração.

 

Newsletter

 

A Newsletter da AUPPF, criada em outubro de 2010, é enviada para a mala direta, ou seja, para cerca de 50.000 endereços, a cada mês.

 

Ela anuncia atividades de nossa sociedade científica e de eventos internacionais relacionados à Psicopatologia Fundamental. Não anuncia eventos nacionais.

 

Há um cuidado permanente para anunciar eventos científicos e evitar eventos de outra natureza. Aqui também a ênfase é dada à difusão da produção de conhecimento através de pesquisas.

 

Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental

Abel Paker, diretor da base de dados SciELO Brasil publicou, no número 13, (17 de Junho 2014) daNewsletterSciELO em Perspectiva (blog.scielo=scielo.org@mail326.us2.mcsv.net) , um texto que formula, com cuidado e precisão, o problema relativo à difusão do conhecimento, no que se refere às revistas científicas.

Diz ele:

“Os periódicos do Brasil vêm avançando notavelmente no aperfeiçoamento da gestão e operação profissionalizada dos processos de editoração, publicação, disseminação e marketing, sem perder o seu caráter acadêmico”.

“Considerando o conjunto dos periódicos SciELO, destacamos como indicadores ou características desses avanços a publicação atualizada sem atrasos dos novos números e a adoção da publicação avançada de artigos antes de compor os números, o uso crescente das redes sociais para a disseminação e marketing das pesquisas e a adoção de inovações nos processos de publicação.”

“Estes avanços alinham-se à promoção da profissionalização dos periódicos que o Programa SciELO vem priorizando juntamente com a internacionalização e a busca de sustentabilidade financeira estável como condições necessárias para o aumento continuado da credibilidade, visibilidade, presença, influência e impacto das pesquisas que os periódicos do Brasil publicam.”

E prossegue Paker:

“Neste contexto, está se formando progressivamente na comunidade de pesquisa um consenso que os periódicos do Brasil cumprem função importante ao comunicar cerca de 30% da pesquisa nacional indexada internacionalmente e que o seu aperfeiçoamento é essencial para melhorar o desempenho geral da pesquisa científica do Brasil. A profissionalização é parte deste aperfeiçoamento.”

“A profissionalização é entendida aqui como a produção dos periódicos de acordo com o estado da arte internacional e compreende um conjunto de características e condições de gestão e operação, informadas, que contribuem para minimizar o tempo e maximizar a transparência no processo de avaliação dos manuscritos, a edição dos textos que elimine erros, facilite a leitura e siga os padrões internacionais de comunicação nas diferentes áreas temáticas e nos diferentes idiomas.”

“A profissionalização da gestão e operação não significa abandonar o caráter e a centralidade acadêmica que caracteriza a publicação dos periódicos do Brasil. Entretanto, esta condição embute desafios específicos. O principal deles se refere ao fato que a maioria dos editores-chefes e editores associados são pesquisadores ativos que dedicam uma parcela pequena do seu tempo à gestão dos periódicos. Esse tempo é valioso e recomenda-se que seja dedicado preferencialmente a duas funções principais: desenvolvimento da política editorial do periódico e à gestão da avaliação dos manuscritos. A execução plena destas duas funções, em particular a gestão da avaliação dos manuscritos, exige o concurso ativo de editores associados. Ou seja, a estrutura e composição do corpo de editores deve estar orientada à divisão de responsabilidades. O uso dos sistemas de gestão online de manuscritos viabiliza esta gestão compartilhada e descentralizada com editores associados nas diferentes cidades do Brasil e do exterior. O principal desafio da gestão é assegurar o entendimento e aplicação o mais uniforme possível das políticas editoriais e particularmente de avaliação de manuscritos.”

“O segundo desafio consiste na adoção eficiente das metodologias e tecnologias de produção dos textos, composição dos números e publicação online e em papel. Este desafio pode ser enfrentado via três abordagens. A primeira é realizar toda a produção editorial com equipes e recursos próprios sejam do periódico propriamente dito ou compartilhados com outros periódicos da mesma instituição; a segunda é combinar equipes e recursos próprios com a contratação de serviços externos, em geral, tendo como critério o uso racional dos recursos financeiros; e, a terceira abordagem é contratar toda a produção de serviços externos”

A Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental trilha esse caminhoeé, segundo a Google Academics, a 73ª. revista de Psicologia Clínica mais consultada do mundo e a primeira brasileira (dados de 2012).

Para chegar a esse patamar ela percorre o seguinte caminho:

O Editor Responsável cuida da política editorial do periódico através da constante verificação da adequação dos artigos à missão da revista. Diversos artigos são enviados sem respeitar os objetivos explícitos da revista e são, por isso, recusados.

Ele cuida, também, da qualidade dos artigos através da gestão de avaliação de manuscritos que passa inevitavelmente pela leitura e comentário de consultores externos. São eles os guardiões da qualidade dos textos recebidos e a revista é muito grata pelo generoso e competente trabalho que realizam.

Um importante desafio da gestão é evitar conflitos de interesse e assegurar o entendimento e aplicação o mais uniforme possível da política editorial e particularmente da avaliação de manuscritos.

Além disso, o Editor Responsável cuida da adoção eficiente das metodologias e tecnologias da produção de textos, composição dos números e publicação online e em papel. A equipe de produção – composição, revisão, tradução, diagramação e impressão – também requer permanente cuidado.

O Editor Responsável acompanha atentamente os debates sobre questões éticas relativas à produção de revistas realizados pela World Association of Medical Editors (WAME) e pelo Commitee on Publication Ethics(COPE). Esses debates esclarecem aspectos contraditórios da produção editorial.

 

ARevista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental possui uma série de Editores Associados que se responsabilizam pelas respectivas seções.Atualmente são eles:

A Profa. Dra. Ana Cristina Costa de Figueiredo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Editora Associada da seção “Saúde Mental”. A criação dessa importante seção visou, num primeiro momento, estimular a escrita dos trabalhadores de saúde mental envolvidos em atividades no SUS e outros centros públicos de tratamento. Ela foi inspirada numa experiência denominada Laboratório de Saúde Mental desenvolvida na AUPPF. Nela foi constatado que havia um novo saber clínico resultante da Reforma Psiquiátrica Brasileira. Os trabalhadores de saúde mental tinham, entretanto, uma enorme dificuldade em reconhecer a existência desse saber e em escrever sobre ele. A Profa. Dra. Ana Cristina Costa de Figueiredo, por sua destacada implicação no trabalho junto ao SUS, era a pessoa capaz de estimular a produção escrita dos trabalhadores de saúde mental. Ela aceitou generosamente o desafio e assim foi iniciada a seção da revista que, hoje, é a principal fonte de informações sobre o trabalho realizado em saúde mental no Brasil. Mais recentemente, a Profa. Dra. Andrea Máris Campos Guerra, da Universidade Federal de Minas Gerais passou a colaborar com Ana Cristina.

A Profa. Dra. Ana Maria G. Raimundo Oda e o Prof. Dr. Paulo Dalgalarrondo, da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) são os Editores Associados da seção “História da Psiquiatria” onde têm sido publicados importantes trabalhos. O resgate da história da psiquiatria brasileira realizado nesta seção é de grande importância pois revela aspectos que são considerados muito atuais. Assim, por exemplo, os estudos de Nina Rodrigues fornecem elementos para pesquisa sobre aspectos ecológicos e culturais do pathos psíquico.

A seção “Clássicos da Psicopatologia” concebida, proposta e executada inicialmente pelo Prof. Dr. Mário Eduardo Costa Pereira, da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) foi, há cerca de três anos, assumida pelo Prof. Dr. German E. Berrios, da University of Cambridge, England. Ela possui uma dupla função considerada de grande importância. Em primeiro lugar, desmascara a expressão “contemporânea” querendo significar algo que não ocorria no passado e revela a ignorância da tradição psicopatológica. Além disso, a seção fornece uma concepção descontínua e complexa da história da psicopatologia e é de grande utilidade para o conhecimento do pathos psíquico.

Observando a Medicina”, sob a responsabilidade de Mônica Teixeira, da Universidade Virtual do Estado de São Paulo (UNIVESP) e do Prof. Dr. Erney Plessmann de Camargo, da Universidade de São Paulo (USP), apresenta uma versão contraditória sobre essa essencial atividade humana e desmascara o mito a respeito do bem médico.

O aspecto contraditório é, também, objetivo de “Observando a Psiquiatria”, a mais recente seção criada e editada pelos Pros. Drs. Cláudio E. M. Banzato, da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e Profa. Dra. Rafaela Zorzanelli, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Primeiros Passos” foi criada e é editada pela Profa. Dra. Ana Cecília Magtaz para estimular autores iniciantes. Esse trabalho tem por objetivo a formação de nova geração de pesquisadores autores.

Movimentos Literários” é seção criada por Fabiano Massarro Salvador visando expor relações entre literatura e psicopatologia. Mais recentemente, ela passou a ter diversos Editores Associados.

Resenha de Livros” é editada pela Profa. Dra. Sonia Leite, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Além dos Editores Associados, que fornecem um evidente enriquecimento temático revelando a complexa natureza da Psicopatologia Fundamental, a revista, revista conta com um corpo de consultores externos internacionais (peer reviewers) que cuida dos diversos aspectos qualitativos dos artigos recebidos. Esses aspectos são exigentes e resultam em recusa de um grande número (75%) de artigos submetidos. Apesar disso, há uma pauta de cerca de um ano, ou seja, um artigo aceito leva de 12 a 14 meses para ser publicado.

A revista apresenta títulos de artigos, resumos e palavras-chave em cinco línguas (alemão, espanhol, inglês, francês e português).

Essa decisão editorial diverge da adotada por diversas revistas científicas brasileiras, que publicam artigos exclusivamente em inglês.

A experiência editorial revela que a principal questão enfrentada por qualquer revista científica refere-se à qualidade dos artigos e esta possui aspectos distintos da frequência de citações ou do famigerado índice de impacto. É a qualidade dos artigos que assegura a longevidade de uma revista, pois, dependendo da qualidade, seus artigos podem ser lidos por muito tempo, ainda que a longevidade não deva ser confundida com qualidade.

O esclarecimento da “questão da qualidade” passa, então, a ser de grande relevância e torna-se, como já foi dito,num problema de investigação.

A revista tem sido avaliada anualmente pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do governo do Brasil e pela Fundação Campanha de Aperfeiçoamento do Pessoal do Ensino Superior (CAPES), sendo considerada A2 (2013) pelo QUALIS.

Inscrição em bases de dados.

A AUPPF realiza um incessante e persistente trabalho de inscrição da RLPF em bases de dados. Hoje (julho de 2014), ela está inscrita em 25 sendo que a mais recente é a PsycINFO.

Este Trabalho de inscrição e de manutenção em bases de dados é de importância estratégica para a difusão de artigos publicados na revista.

Entretanto, apesar desse verdadeiramente insano trabalho de difusão, observa-se que autores escrevem artigos sobre temas já publicados na RLPF e não os citam. Esse trabalho de falta de memória é impressionante e parece que ele serve para assegurar uma pseudo-originalidade.

Plataforma Internacional de Psicopatologia Fundamental

A Plataforma Internacional de Psicopatologia Fundamental é um amplo arquivo sistemático de informações sobre psicopatologia existentes na Internet, ou seja, ela reúne, de forma organizada, informações espalhadas pela rede mundial (www).

O objetivo da Plataforma é o de facilitar o acesso às informações que nem sempre estão evidentemente disponíveis na rede, ou seja, sua obtenção exige busca detalhada.

Ela contém as seguintes seções: 1. Arquivos; 2. Associações, Organismos e Sociedades; 3. Autores e personalidades; 4. Bases de dados; 5. Bibliografias; Bibliotecas e museus; 6. Casos clínicos; 7. Centros, clínicas, hospitais, hospitais dia; 8. Correntes de pensamento; 9. Dicionários; 10. Escolas; Livros e ensaios; 11. Manuais; 12. Países; 13. Periódicos; 14. Portais (sites); 15. Verbetes; 16. Vídeos; 17. Fale conosco.

Trata-se, portanto, de um thesaurus, ou seja, um repertório alfabético de termos utilizados pela psicopatologia.

Dada a natureza dinâmica da rede, é necessário que esse trabalho de construção da Plataforma seja permanente dirigido. Entretanto, isso não está acontecendo e ela conta com o trabalho voluntário de alguns estudantes bolsistas.

Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental e Congresso Brasileiro de Psicopatologia Fundamental.

 

O Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental e o Congresso Brasileiro de Psicopatologia Fundamental é um evento tradicional organizado pela AUPPF.

 

Ele visa apresentar, da forma a mais ampla possível, a produção científica da psicopatologia que leva em consideração a subjetividade. É, também, uma oportunidade para jovens pesquisadores exporem seus trabalhos de pesquisas. Finalmente, é um momento de trocas entre pesquisadores.

 

Depois de numerosas edições, o Congresso passou a apresentar a seguinte estrutura: conferências (4); cursos (4); simpósios (8); mesas redondas (110), pôsteres (90) e seminários clínicos (2).São, assim, apresentados 462 trabalhos. O crescente número de trabalhos submetidos solicita um processo de seleção. Nesta edição foram recusados 96 trabalhos.

 

A organização e produção do Congresso está a cargo da Diretora Administrativa da AUPPF, Profa. Dra. Ana Cecília Magtaz, que coordena, dirige e executa numerosas tarefas auxiliada, a cada nova edição, por uma produtora de arte, uma pequena equipe de bolsistas, estudantes de pós-graduação, uma empresa especializada que realiza parte do trabalho de secretaria executiva e uma agência de turismo.

 

O Congresso foi realizado em diversas universidades. Entretanto, a partir de 2010, ele passou a ser realizado em hotel.

 

Resumo da difusão

 

O trabalho de difusão tem produzido resultados alentadores fazendo com que a Psicopatologia Fundamental seja reconhecida e respeitada.

 

Eles são medidos pelo número e pela diversificação por países de acesso aos portais (sites) da AUPPF www.fundamentalpsychopathology.org.br e do Laboratório de Psicopatologia Fundamental do Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia Clínica da PUCSP www.psicopatologiafundamental.org

 

Acordos internacionais

 

A realização das pesquisas depende do aperfeiçoamento dos membros e de seus estudantes. Esse aperfeiçoamento, por sua vez, depende de estágios e intercâmbios internacionais.

 

Assim, a AUPPF desenvolve acordos internacionais com universidades. O primeiro é o Acordo de Cooperação entre a Université de Paris 7 – Denis Diderot e a Associação Universitária de Pesquisa em Psicopatologia Fundamental assinado no início de fevereiro de 2014.

 

O acordo inclui a cooperação nos domínios seguintes e seus detalhes podem ser encontrados em www.fundamentalpsychopathology.org.br:

  1. Intercâmbio de professores-pesquisadores;
  2. Intercâmbio de estudantes;
  3. Intercâmbio de pessoal técnico e administrativo em função de necessidades específicas;
  4. Elaboração de programas conjuntos de formação;
  5. Elaboração de programas conjuntos de pesquisa;
  6. Direção científica comum de trabalhos de pesquisa (se for o caso, cotutela ou co-orientação de tese);
  7. Facilitação do acesso ao conhecimento científico e pedagógico (intercâmbio de documentação e de publicações);
  8. Organização conjunta de colóquios, conferências, seminários e formações de curta duração (programas de verão);
  9. Participação em todas as formas de intercâmbio suscetíveis de valorizar seus estabelecimentos e seu pessoal, seja no quadro de seu funcionamento interno ou no das relações com seus ambientes econômico, industrial, social ou cultural;

10. Outras formas de cooperação: produtos pedagógicos novos, e-learning, auxílio na instalação de uma estrutura de pesquisa, etc.

 

Este acordo abre novos horizontes e inclui a AUPPF num panorama internacional de alta qualidade científica.

 

Aspectos Administrativos.

 

Diretoria

 

Durante esses dois anos, a atuante diretoria da AUPPF foi composta por:

 

- Presidente: Manoel Tosta Berlinck (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo)

 

- Diretor Administrativo: Ana Cecília Magtaz (Universidade de São Paulo)

 

- Primeiro Tesoureiro: Silvana Rabello (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo)

 

- Segundo Tesoureiro: Maria Virginia F. Cremasco (Universidade Federal do Paraná)

 

- Primeiro Secretário: Nelson da Silva Jr. (Universidade de São Paulo)

 

- Segundo Secretário: Vera Lopes Besset (Universidade Federal do Rio de Janeiro)

 

- Comissão de Seleção:

 

- Henrique Figueiredo Carneiro (Universidade do Estado de Pernambuco, Garanhuns)

- Ana Cleide Guedes Moreira (Universidade Federal do Pará)

-Tânia Coelho dos Santos (Universidade Federal do Rio de Janeiro)

 

- Comissão de Ética:

 

- Maria Lucrecia Rovaletti (Universidade de Buenos Aires, Argentina)

- Rosa Guedes Lopes (Universidade Estácio de Sá, Rio de Janeiro)

- Claudia Henschel de Lima (Universidade Federal Fluminense)

 

- Conselho Fiscal:

 

- Paulo Roberto Ceccarelli (Universidade Católica de Minas Gerais)

- Sérgio de Gouvêa Franco (Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado)

- Ana Maria Rudge (Universidade Veiga de Almeida, Rio de Janeiro)

 

O trabalho realizado pela atual diretoria foi plenamente satisfatório, pois colaborou decisivamente para o crescimento da AUPPF e para sua eficiente organização.

 

Além da diretoria, a AUPPF conta com o trabalho de Flávio José de Aguiar, técnico em contabilidade e de dois bolsistas contratados em tempo parcial.

 

Aspectos financeiros

 

O balanço e os respectivos balancetes do período estão sendo apresentados separadamente para exame do Conselho Fiscal e da Assembleia Geral Extraordinária.

 

Faz-se necessários, também, comentário a este respeito.

 

A própria natureza da AUPPF exige uma complexa engenharia financeira executada cuidadosamente para evitar qualquer tropeço.

 

Assim, é preciso notar que as despesas da AUPPF são extremamente controladas. Sua extremamente pequena capacidade de endividamento deve ser tratada com respeito. Assim, ela só tem dívidas à vista e não tem dívidas a médio e longo prazo, gastando o estritamente necessário para seu funcionamento. Despesas frequentemente são evitadas com lamento.

 

Sua extremamente limitada capacidade de obter receita tem duas consequências: há ua mui limitada capacidade para estabelecer reserva de capital e isso prejudica projetos de ampliação. Assim, por exemplo, a Plataforma Internacional de Psicopatologia Fundamental enfrenta dificuldades para seu funcionamento adequado e sua expansão.A Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental também enfrenta dificuldades. Assim, por exemplo, ela já deveria estar em XML na base de dados SciELO. No entanto, isso só ocorrerá em 2015.

 

A receita da AUPPF é proveniente de diversas fontes.

 

Vem, principalmente, de auxílios à pesquisas obtidos junto à CAPES, o CNPq e à FAPESP. ARLPFrecebe auxílio do CNPq. Os Congressosque realiza são fonte de recursos. É preciso reconhecer que há auxílios indiretos vindos de outras FAPs, que poderiam ser ampliados.

 

Anuidades e doações recebidas de seus membros são importante fontes de receita.

 

Finalmente, o trabalho voluntário é importante fonte de receita não monetária. Sem ele, a AUPPF não teria como funcionar.

 

O futuro

 

O futuro da Associação Universitária de Pesquisa em Psicopatologia Fundamental pertence aos seus membros.

 

Até agora, ela existiu graças ao exercício de uma liderança carismática. Entretanto, a liderança carismática possui limitada capacidade de sustentar qualquer organização. Chega, então, o momento em que o carisma deve dar lugar à uma liderança organizacional rotinizada.

 

Essa crucial passagem deverá ser enfrentada em pouco tempo pela AUPPF e, como qualquer mudança, ela corre o risco de fracassar. Em outras palavras, ela dependerá da vontade de seus membros e de ações voluntárias acordadas pelo grupo que compõe o quadro de sócios.

 

Agradecimentos

 

A AUPPF agradece, nesta oportunidade, a generosa colaboração de seus membros para o funcionamento aperfeiçoado de nossa sociedade científica.

 

Um agradecimento especial deve ser feito à Profa. Dra. Ana Cecília Magtaz, Diretora Administrativa, que não poupou esforços visando o bom funcionamento da organização. Sem sua indispensável contribuição, enfrentaríamos dificuldades muito maiores.