XII Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental e XVIII Congresso Brasileiro de Psicopatologia Fundamental – 2026

A ASSOCIAÇÃO UNIVERSITÁRIA DE PESQUISA EM PSICOPATOLOGIA FUNDAMENTAL tem o prazer de CONVIDAR todos os pesquisadores e estudiosos do psicopatológico e do sofrimento humano para o XII CONGRESSO INTERNACIONAL DE PSICOPATOLOGIA FUNDAMENTAL e XVIII CONGRESSO BRASILEIRO DE PSICOPATOLOGIA FUNDAMENTAL, que terá como tema “Pathos, resistência e alienação”.
O congresso ocorrerá no período de 05 a 07 de setembro de 2026, na cidade do Vitória (ES), no Hotel Comfort Suítes.
O argumento proposto para a discussão do tema, bem como a programação, os conferencistas convidados e as informações para inscrição e submissão de trabalhos serão especificadas no menu.
Aguardamos, com alegria, a presença de vocês.
A Comissão Organizadora
Sobre Vitória-ES
Vitória: um lugar que nos liga aos afetos
Crédito do texto a Tamara Lopes
Falar sobre Vitória é apresentar uma cidade-ilha que se revela aos poucos. Capital do Espírito Santo, cercada pelo mar, por morros, pontes e por outras barreiras simbólicas, ela não se impõe pelo excesso, nem pelo espetáculo, mas por uma presença persistente de sutilezas cotidianas e reluzentes, sob o céu rosa e azul de seu entardecer.
Vitória é feita de contrastes delicados: a beleza da paisagem natural convive com o ritmo da vida urbana que pulsa a lógica do trabalho. Vitória poderia figurar entre as cidades invisíveis de Calvino, mas ao contrário daquilo que um forasteiro comum possa pensar, ela não se esconde, mas também não se entrega de imediato, exige tempo, entrega e travessia.
Enquanto Calixte dizia que “viver é ver Vitória”, Carmélia repetia com ironia que “esta ilha é uma delícia”. Se para Calixte habitar o mundo passa por um olhar de reconhecimento com disposição e presença, para Carmélia essa atitude exige que a própria experiência vivida seja livre da necessidade de ser explicada, apenas amada. Vitória é assim: um campo transferencial, cujos sentidos nos conduzem ao encontro de suas belezas e contradições.
Como se vê, esta é uma cidade de frases expressivas. Dessa relação afetiva com o lugar, eternizada por Calixte e Carmélia, Cacau também deixou a sua contribuição, proclamando aos quatro ventos que, “moqueca é capixaba, o resto é peixada”. Essa expressão inscreve um modo próprio de existir no mundo, pela cultura de sabores, enraizando em definitivo, tradições indígenas, ligadas à pesca artesanal e ao convívio ancestral capixaba com o maior manguezal urbano do Brasil.
A moqueca capixaba não leva dendê, pimentão, nem leite de coco: leva tempo, urucum, coentro e o saber transmitido entre gerações, preparado na panela de barro, patrimônio que carrega no gesto e na matéria, a memória viva e pulsante da cidade.
Dizer que Vitória está situada no Sudeste brasileiro; que é uma ilha conectada ao continente por seis principais pontes; que abriga cerca de 350 mil habitantes ou que concentra riquezas econômicas e institucionais é oferecer apenas uma descrição objetiva do lugar. Esses dados localizam a cidade no mapa, mas não dão conta de fazer alcançar a experiência que é habitá-la.
Vitória escapa às estatísticas: ela se revela na intimidade entre o mar e a cidade, toda vez que um navio faz a sua espetacular manobra na baía. Além disso, a cidade se revela na memória, com as suas edificações históricas, com destaque para a capela de Santa Luzia, construída em 1537, uma das construções mais antigas do Brasil. Ver Vitória exige algo a mais, pois ela exige de nós, disposição para sentir aquilo que não se mede.
Vivê-la, em suas delícias, é, de algum modo, nos abrirmos à memória do lugar em nossa própria história, que nem sempre cabe em palavras, mas sempre que possível, nos convida à conexão, tal como pontes que ligam ilhas ao continente. Ao atravessarmos a ponte, levamos algo do lugar e deixamos um pouco de nós do outro lado.
Argumento
A pulsão de autodestruição em curso hoje
Linhas de resistência
(Argumento)
À memória de Manoel Berlinck
dez anos de sua ausência…
… o mais triste é que é exatamente assim que
deveríamos nos representar os homens e seus
comportamentos, segundo as expectativas
abertas pela Psicanálise.
Sigmund FREUD à Lou ANDREAS-SALOMÉ,
a propósito da barbárie da Grande Guerra (25/11/1914)
- O que está nos acontecendo hoje, neste primeiro quarto de século ?
De todos os lados nos chegam os sinais do colapso, da “crise” ― climática, sanitária, energética, militar, financeira, democrática, social, mental.
Ao ponto de a questão do fim do mundo estar na ordem do dia. Ela insiste no ar do tempo, sob diversas variantes, fundadas desta vez em previsões científicas (e não em crenças ou fantasmas milenares de apocalipse) : fim do planeta, fim da civilização termo- industrial, fim do humano.
A psicanálise define economicamente o trauma como o efeito do afluxo de uma quantidade tal de energia, de excitações, que ela excede a capacidade do sujeito de tratá- la psiquicamente, ligá-la, representá-la, elaborá-la.
Nόs estamos visivelmente excedidos pelo que nos acontece. “Desorientação geral”, “bewilderment”, “sidération”…, confessam os analistas do nosso tempo. (Verwirrung, confusão, já confidenciava Freud diante da Primeira Guerra mundial.)
A própria falência da civilização tende a nos privar dos meios de conceber o que nos acontece. “Todos os dias a gente se levanta para enfrentar a mesma tarefa : conceber o inconcebível”, escrevia Lou Salomé para Freud em 1914.
Mais de um século depois, nόs nos levantamos com o mesmo desafio, e fundamentalmente pelas mesmas razões.
À memória de Manoel Berlinck dez anos de sua ausência…
… o mais triste é que é exatamente assim que deveríamos nos representar os homens e seus comportamentos, segundo as expectativas abertas pela Psicanálise.
Sigmund FREUD à Lou ANDREAS-SALOMÉ, a propósito da barbárie da Grande Guerra (25/11/1914)
A civilização neoliberal lippmanniana, mundializada, está desmoronando, descreditada; cresce a angústia, e com ela a tentação da barbárie : ascensão das extremas direitas, novo fascismo. - Freud reconhece no ar do tempo, desde o início do século passado, uma liberação sem precedentes das pulsões de destruição e de autodestruição.
Tal é o nosso problema, ontem como hoje. Com uma diferença, pelo menos : hoje essas pulsões são potencializadas pelo desenvolvimento tecnocientífico e digital.
Freud enfrentou a guerra e o fenômeno da “psiquê de massa” (Massenpsyche) e sua psicose, às vésperas da descoberta do nuclear. Mas ele não conheceu a terceira revolução industrial, a da informação e da cibernética (”muito mais perigosa para o homem do que a bomba atômica”, notava Lacan em 1955 no Seminário II, se juntando ao alerta de Einstein), e na sua esteira, a quarta revolução : da inteligência artificial.
Nόs estamos mergulhados nelas. - Importa lembrar a “cena originaria da cibernética” (sublinhada por Norbert Wiener) : o contexto tecno-militar da Segunda Guerra mundial e a necessidade, para a artilharia antiaérea norte-americana, de prever estatisticamente o comportamento dos bombardeiros inimigos.
Wiener define a informação como a terceira dimensão fundamental da matéria (ela não é a massa nem a energia). Característica de toda realidade física organizada, sua teoria permite descrever os fenômenos de regulação e de comunicação de qualquer sistema, natural ou artificial : seres vivos ou máquinas, circuito neuronal ou circuito eletrônico, cérebro ou calculadora. As possibilidades se abrem, imensas, de mixagem entre o organismo vivo e a técnica (biotecnologias, neuroinformática). Cyborg se torna uma realidade, dotada de um futuro promissor.
A mutação é profunda, é uma ruptura ontológica e epistemológica. Ela abala completamente e continuamente nossa experiência e nossas categorias de pensamento (é certamente aí que convém situar, mais profundamente, a origem de toda sideração e angústia contemporâneas).
(Quanto à significação do surgimento da cibernética na história do Ocidente e no seu destino, nόs podemos confiar em um Heidegger : ele consagrou sua vida inteira a pensá- la. Essa obstinação tomou a forma da carta célebre sobre “o fim da filosofia” (Das Ende der Philosophie) publicada pela UNESCO em 1965.) - Mal-estar na civilização havia mostrado que a civilização não tem por finalidade a felicidade dos humanos. Hoje nόs sabemos que nossa civilização tecnocientífica- informacional não tem por finalidade o humano (o progresso, o conhecimento, a emancipação, a cultura). Ela trabalha, ao contrário, para superar o humano, ultrapassá-lo.
Quarta vexação infligida pela ciência ao narcisismo dos humanos, após as três outras enumeradas por Freud ― a humilhação do geocentrismo (Copérnico), a do antropocentrismo (Darwin), a do ego-centrismo (Freud) : nόs damos nossa vida a um processo de complexificação, de desenvolvimento, do qual não somos a finalidade. Humilhação do antropo-teleologismo. Na verdade, tudo indica que não somos tampouco a origem desse processo, nem os pilotos. - Último avatar ao qual o desenvolvimento tecnocientífico capitalista dá lugar : a aliança concluída, na América do Norte, entre os tecno-bilionários do Silicon Valley, patrões das big techs, e o autoritarismo neofascista da Casa Branca. Aliança selada sob os auspícios da nostalgia do gilded Age, a era de ouro do imperialismo extrativista e predatório norte-americano do após-guerra da Secessão.
Tudo se passa como se se tratasse doravante de fabricar um imponente e arrogante aparelho de denegação e mesmo de forclusão da castração, da ferida narcísica que se seguiu desde então (como dá a entender involuntariamente o slogan do movimento MAGA).
O efeito dessa denegação, dessa aliança reativa, é a radicalização do niilismo, isto é a intensificação da pulsão de agressão e autodestruição.
A ideologia, ou o delírio, cabe em duas palavras : os protagonistas da aliança sabem que o mundo, continuando como vai, está caminhando para a sua ruína; eles persistem contudo e intensificam a captação e a exploração a pleno rendimento das energias naturais e humanas (conscientes e inconscientes, como dizia Jünger), ativando, acelerando e precipitando o desastre. Fiat lucrum, et pereat mundus. Tal é o que se chama hoje de capitalismo do apocalipse.
O desejo de lucro sem fim reclama o desemprego de massa e comanda o extrativismo desenfreado (a IA é energívora). Paralelamente, um sobrevivencialismo de eleitos é organizado, destinado a assegurar a sobrevivência da elite “transumana” ao desastre que ela terá legado à Terra e à humanidade. - A psicopatologia do Silicon Valley ainda está por ser escrita.
Denegação da realidade e climato-negacionismo; ataque contra o pensamento, a universidade e as instituições internacionais; financiamento da falsificação da pesquisa alimentando a dúvida sobre o clima, a agricultura intensiva ou as armas; ruína do espaço público de interlocução pelas “redes sociais” inundadas estrategicamente de shit (S. Bannon); destruição programada da empatia humana (“the fundamental weakness of western civilization”); caça aos “estrangeiros”; redução da humanidade à matéria-prima biolόgica (bootloader) para a “digital superintelligence”; darwinismo social e flerte com o eugenismo; delírio de grandeza : o governo da primeira potência mundial (e portanto os seus efeitos sobre suas zonas de influência) está entre as mãos de uma aliança de tecno-libertarianos resolutamente niilistas, alguns notoriamente sociopatas, cujo discurso e a conduta se caracterizam por seus traços manifestamente psicóticos (C. Bollas). - Devemos concluir disso tudo que, no combate entre as pulsões de destruição e a civilização (Eros, o trabalho da cultura), são as primeiras que estão ganhando ?
Que a autodestruição é o destino irresistível da civilização ?
Que realizamos dessa maneira o destino pressentido pela tragédia grega há dois mil e quinhentos anos, ao afirmar que “nada é mais inquietante do que o homem” ? (primeiro coro da Antígona de Sófocles).
(O termo grego para “inquietante” é δεινόν ; Heidegger o traduz por unheimlich; Freud não está longe portanto, que descreve o homem como o inquietante “deus protético”.)
Ou convém escutar, no sentimento difuso de crepúsculo, de fim que atravessa o nosso presente, o anúncio de um novo começo ? - O que pode a psicanálise face aos desafios da barbárie civilizada em andamento ?
A psicanálise também não é poupada pelo desencadeamento em curso.
O projeto de tradução da metapsicologia em neurofisiologia, visando reformular o trabalho da psiquê (seelischer Apparat, o “aparelho da alma”) em termos de “troca de informações”, é contemporâneo do nascimento da cibernética. (Cybernetics, de Wiener, já introduzia o paralelismo entre o cérebro e a máquina de calcular a propósito da doença mental, no capítulo intitulado “Cibernética e psicopatologia”.)
Em suma, a psicanálise também se encontra obrigada a mudar suas frentes de batalha, abrir novas linhas de resistência às ameaças, inéditas e antigas, externas e internas. Sem ceder quanto ao seu desejo, quanto à sua razão de ser, que é a de garantir o respeito devido a esse outro estrangeiro que cada um, cada uma, abriga em si sem saber.
O que nos torna para sempre irredutíveis a um conjunto material complexo de operadores processando e trocando informações. - O que pode a psicanálise ainda ?
A primeira pista de resposta já nos vem do próprio ensinamento da revolução copernicana freudiana, nos antípodas das denegações e do esquecimento obscurantista atual.
Em uma palavra : nόs não nascemos humanos (como dizia Erasmo de Roterdã), já prontos, preparados para a troca e a comunicação. Estas vêm tardiamente, com esse adestramento que chamamos educação (na qual a indústria do digital investe massivamente hoje, desde a tenra infância ― que deverá assim se inserir cada vez mais rapidamente nas redes de comunicação do sistema…).
Nόs nascemos cedo demais, “prematuros”, inaptos para articular e representar o que nos acontece. Essa situação inicial de impreparação, Freud a chama infância.
O termo não designa aqui um período da vida, mas uma condição : a de nascer dependente, sem defesa, exposto aos outros, a um primeiro choque, cujo efeito, o afeto, ficará aí, nesse corpo, uma vez por todas, tal um estranho no seio da intimidade, uma região exterior no interior, extima.
É essa impreparação nativa que remete ao princípio de uma “sedução originária ”, no sentido de Laplanche. Quando a aptidão para a troca e a comunicação vem, com a linguagem, a lei e o eu, é tarde demais. Na noite da infância, “pré-história da existência”, as coisas já terão tomado um rumo, com o qual a vida toda do indivíduo será ocupada, inconscientemente, a tratar.
Das Infantile nomeia a vida inconsciente da alma, que antecede e excede por definição o sujeito, a troca e a comunicação.
A infância é emoção nativa diante do começo e do fim, do nascimento e da morte; o espanto maravilhado, desarmado, diante do enigma da existência; o thaumazein, páthos imemorial, na origem de todo pensamento, arte e literatura.
É ela, a inconformada, que nos faz resistir ao instituído. A infância de Antígona… (ver as análises de Lacan e de Lyotard sobre a fidelidade incondicional ao real do desejo).
(É contra a infância em si, finalmente, que o chefe autocrata se empenha em fabricar um aparelho de forclusão, ela que é a figura por excelência da desapropriação de si.)
A dívida para com a infância reclama igualmente uma forma de resistência mais secreta : o trabalho de anamnese, o labor da escritura ― que começa lá onde a comunicação é impossível.
É ela que leva um Marcel Proust a escrever que os livros de literatura são filhos (enfants) da escuridão e do silencio ― da noite de infância.
Dedicados a testemunhar esta condição constitutiva de descentramento, de heteronomia radical.
Nossas máquinas de calcular inteligentes não têm infância.
O sistema tecnocientífico atual, libertariano e transumanista, sonha com uma humanidade sem infância ?
Apêndice : Freud e a pulsão de agressão e de autodestruição
Verão de 1929. Freud escreve :
A questão decisiva para o destino da espécie humana parece-me ser se, e em que medida, o seu desenvolvimento cultural conseguirá assumir o controle da perturbação causada à vida em comum pela pulsão de agressão e de autodestruição (Aggressions-und Selbstvernichtungstrieb) dos humanos.
Nesse sentido, a época atual talvez mereça um interesse especial. Os homens chegaram agora a tal ponto no domínio das forças da natureza que, com a ajuda delas, é fácil para eles se exterminarem uns aos outros, até o último homem.
Eles sabem disso, daí uma grande parte de sua inquietação presente, de sua infelicidade e de seu sentimento de angústia.
É o último parágrafo do Mal-estar na civilização1. Ele deixa aberta a questão decisiva, à qual fica suspenso o destino de nossa sobrevivência enquanto espécie.
O argumento é conhecido : o conflito central, constitutivo da espécie humana, opõe a sua exigência de satisfação pulsional aos imperativos e diques da civilização, condição de possibilidade da vida juntos (Zusammenlebens) e portanto de sua sobrevivência.
Desse conflito, e da renúncia à satisfação que ele impõe à espécie, decorre este paradoxo fundamental : a civilização engendra a anti-civilização, Eros civilizador gera o ódio à civilização, a hostilidade à vida em comum.
Que a civilização industrial possa desaparecer e mesmo se autodestruir, isso era uma possibilidade real para Freud, leitor de Lamarck (1820 : “Parece que o homem está destinado a exterminar-se a si mesmo depois de tornar o planeta inabitável”).
Em 1929 Freud constata o enorme desenvolvimento do domínio tecno-científico das forças da natureza, após um século e meio de civilização termo-industrial. Mas é justamente para tirar daí uma consequência inquietante : as forças que a vertente tecno- científica da civilização põe à disposição da vontade humana, podem servir à anti- civilização, à pulsão de ódio e de destruição (Trieb zum Hassen und Vernichtert) que “trabalha” essa vontade.
Freud viu o papel decisivo da inovação tecno-científica e industrial na Primeira Guerra (tanques, aviões, submarinos, gases tóxicos). Ele escreve o seu livro entre duas guerras mundiais, e durante a Grande Depressão (crash que precipitará o nascimento do neoliberalismo).
Ele escuta o movimento crescente das massas que serão cada vez mais mobilizadas e moldadas pelas mãos dos ditadores. Ele já havia consagrado a elas o ensaio de 1921, Psicologia das massas e análise do eu. A Mobilização total de Jünger é publicada no mesmo ano que o Mal-estar na civilização.
Esses anos antecedem a descoberta da fissão do átomo pela física e a química nucleares e, claro, a revolução cibernética. (Os anos que se seguirão às últimas palavras do Mal-estar verão um ataque tecno-científico-industrial sem precedente contra a vida : Auschwitz e Hiroshima.)
Daí o tom fundamental de angústia (Angststimmung) desse parágrafo. E a questão implicando a nossa sobrevivência, o nosso destino (Schicksalsfrage) : face às ameaças atuais da pulsão de destruição e de autodestruição de uma humanidade tecnologicamente armada, o que pode ainda o processo civilizatório entendido como trabalho da cultura, ensino das Humanidades, obra de arte, de pensamento, de resistência, psicanálise incluída ?
Um século depois, hoje, nós fomos muito mais longe em matéria de domínio tecnocientífico e industrial das forças da natureza, externa e interna.
O que pode o trabalho da cultura doravante ?
A questão já guiava o argumento do nosso Congresso de 2024 em Recife, que tratava de energia pulsional ― mas considerada, lá, do ponto de vista dos regimes de Eros e do erotismo2.
Plínio Prado
Université de Paris VIII
Associação universitária de pesquisa em psicopatologia fundamental
Referências
S. Freud, Gesammelte Werke, 17 vol., Frankfurt, Fischer, 1960-1988;
trad. port. Obras completas, 20 vol., São Paulo, Companhia das Letras, coord. Paulo César de Souza.
C. Bollas, Meaning and Melancholia: Life in the Age of Bewilderment, London & New York, Routledge, 2018 S. Aumercier, F. Grohmann, Quel sujet pour la théorie critique?, Albi, Éditions Crise & Critique, 2024
L. Kahn, Ce que le nazisme fait à la psychanalyse, Paris, P.U.F., 2018
J. Lacan, Le Séminaire. Livre VII: L’Éthique de la psychanalyse (1959-1960), Paris, Seuil, 1986
J. Laplanche, Sexual. La sexualité élargie au sens freudien (2000-2006), Paris, P.U.F., 2006
J.-F. Lyotard, L’Inhumain, Paris, Galilée, 1988
H. F. Searles, Unconscious processes in relation to the environmental crisis, Psychoanalytic Review, 59, 1972
1 S. Freud, Das Unbehagen in der Kultur (1930), G. W., Bd. 14, S. 506, trad. port. P. Prado.
2 https://www.fundamentalpsychopathology.org.br/wp-content/uploads/2024/04/ARGUMENTO-EXPANDIDO-link.pdf
https://www.fundamentalpsychopathology.org.br/congressos/xi-congresso-internacional-de-psicopatologia- fundamental-e-xvii-congresso-brasileiro-de-psicopatologia-fundamental/
Local do congresso
HOTEL COMFORT SUITES VITÓRIA
Avenida Saturnino de Brito, 1327. Praia do Canto. Vitória – ES
Organização
Instituição organizadora
ASSOCIAÇÃO UNIVERSITÁRIA DE PESQUISA EM PSICOPATOLOGIA FUNDAMENTAL – AUPPF
Comissão organizadora
SERGIO DE GOUVEA FRANCO (Presidente da AUPPF)
MARCIA BARROS FERREIRA RODRIGUES (Presidente do Congresso)
MARIA VIRGINIA FILOMENA CREMASCO
FLAVIO ROBERTO CARVALHO FERRAZ
EDILENE FREIRE DE QUEIROZ
MARIZILDA CRUSCO
Comissão científica
SERGIO DE GOUVEA FRANCO
ANA CLEIDE GUEDES MOREIRA
ANDERSON DE SOUZA SANT ANNA
FLAVIO ROBERTO CARVALHO FERRAZ
LUCIANA TIEMI KUROGI
MARCIA BARROS FERREIRA RODRIGUES
PAULO ANTONIO DE CAMPOS BEER
PAULO ROBERTO BORGES CECCARELLI
RICARDO TELLES DE DEUS
NELSON DA SILVA JUNIOR
PLINIO WALDER PRADO JUNIOR
Empresa de eventos.
Conferências
| CONFERENCISTA | TÍTULO | DATA | HORÁRIO |
| Isildinha Baptista Nogueira (presencial) | |||
| Maria Helena Fernandes (presencial) | |||
| Renato Mezan (online) | |||
| Susana Toporosi (presencial) |
Isildinha Baptista Nogueira é psicanalista e vive em São Paulo. É mestre em Psicologia Social pela PUC-SP e doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pela USP. Fez sua formação nos Ateliers de Psychanalyse, em Paris, com Radmila Zygouris (uma das fundadoras da instituição). Livro: A cor do inconsciente: Significações do corpo negro
Maria Helena Fernandes -Psicanalista, doutora em Psicanálise e Psicopatologia Fundamental pela Universidade de Paris VII, com pós-doutoramento pelo Departamento de Psiquiatria da Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), professora do Curso de Psicanálise, membro dos Departamentos de Psicanálise e de Psicossomática do Instituto Sedes Sapientiae e professora colaboradora do Curso de Psicossomática. Livros publicados: L’hypocondrie du rêve et le silence des organes: une clinique psychanalytique du somatique (1999), Corpo (2003) e Transtornos Alimentares: anorexia e bulimia (2006).
Renato Mezan concluiu o doutorado no Depto. de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Letras da Universidade de São Paulo em 1981. Atualmente é professor titular da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Publicou 71 artigos em periódicos especializados. Escreveu 12 livros 3 deles publicados na França. Publicou 71 capítulos de livros, deu 187 conferências ou palestras, apresentou 79 comunicações e trabalhos em congresso/simpósios. Escreveu 24 prefácios e posfácios para livros de colegas, e realizou 2 tradução de livro e 10 de artigos científicos. Em 2015, recebeu o Prêmio Jabuti por seu livro “O Tronco e os Ramos – Estudos de História da Psicanálise”, na categoria Psicologia, Psicanálise e Comportamento. Orientou 96 dissertações de mestrado, 48 doutorados, 3 iniciações científicas e 6 pós-doutorados. Atua na área de Psicologia, com ênfase em Tratamento e Prevenção Psicológica. Em seu currículo Lattes os termos mais frequentes na contextualização da produção científica, tecnológica e artístico-cultural são: Psicanálise, psicanálise aplicada, teoria psicanalítica, Freud, epistemologia e clínica psicanalítica. Entre suas atividades acadêmicas anteriores a 1995 (início do C. Lattes), constam um semestre como Visiting Lecturer na Universidade de Yale, numerosas conferências e 27 orientações de mestrados e doutorados.
Susana Toporosi -É psicóloga graduada pela Universidade de Buenos Aires (UBA) e psicanalista de crianças e adolescentes. É coordenadora de Saúde Mental da Adolescência no Hospital Infantil Ricardo Gutiérrez, em Buenos Aires, e membro do conselho de redação da Revista Topía de Psicoanálisis, Sociedad y Cultura. É também membro da equipe de pesquisadores do Programa UBACyT, da Secretaria de Ciência e Tecnologia da UBA, sobre abuso sexual de crianças e adolescentes, e autora de vários artigos e capítulos de livro sobre a temática do abuso sexual.
Mesas-redondas
REGRAS PARA SUBMISSÃO DE MESAS-REDONDAS
Mesa-redonda é uma atividade realizada por três expositores e um coordenador (pode ser um dos expositores), com duração de 1 hora e 15 minutos. Cada trabalho pode ter, no máximo, 20 minutos de exposição. São reservados 30 minutos para debates e participação do público. Haverá dois tempos para inscrição de mesas-redondas.
1º.) Até 31 de maio de 2026. O propositor da mesa-redonda deverá ser um membro AUPPF que será o coordenador, podendo ser um dos expositores.
2º.) De de 01 a 30 de junho de 2026. O propositor da mesa-redonda deverá ser um pesquisador externo a AUPPF que será o coordenador, podendo ser um dos expositores.
A proposta deve ser encaminhada pelo(a) coordenador(a) da Mesa para a AUPPF, através do e-mail congressopsicopatologia2026@gmail.com contendo as seguintes informações:
- Título claro e preciso da Mesa;
- Nome e endereço completo do coordenador-propositor (incluindo e-mail);
- Nome e endereço completo dos participantes (incluindo e-mail);
- Breve nota curricular do coordenador e dos participantes;
- Título de cada trabalho e resumo de cada trabalho em 1050 caracteres com espaço, em Times New Roman, corpo 12.
- A versão completa do trabalho deve ser enviada, pelo e-mail congressopsicopatologia2026@gmail.com até 31 de julho de 2026. Cada trabalho deve conter, no máximo, 20.000 caracteres com espaço, em Times New Roman, corpo 12.
A publicação dos trabalhos nos Anais é optativa. Os autores que não quiserem ter seus trabalhos publicados nos Anais devem declarar. – Os trabalhos a serem publicados nos Anais devem ter declaração com os seguintes dizeres: “Eu/Nos … autor(es) do trabalho intitulado …, o qual submeto(emos) à apreciação da Comissão Executiva do VIII Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental e XIV Congresso Brasileiro de Psicopatologia Fundamental, concordo(amos) que os direitos autorais a eles referentes se tornem propriedade exclusiva da Associação Universitária de Pesquisa em Psicopatologia Fundamental – AUPPF, sendo vedada qualquer reprodução total ou parcial, em qualquer outra parte ou meio de divulgação impressa ou virtual sem que a prévia e necessária autorização seja solicitada por escrito e obtida junto à AUPPF. Data e assinatura(s). - Comprovante de pagamento da taxa de inscrição no Congresso até dia 30 de junho de 2026.
De acordo com a grade horária do evento, há espaço para 35 Mesas-redondas.
Baixe aqui a ficha de inscrição para as mesas-redondas.
Seminário Clínicos
REGRAS PARA SUBMISSÃO DE SEMINÁRIOS CLÍNICOS
É uma atividade organizada nos mesmos moldes de uma Mesa-redonda, com 1 hora e 15 minutos de duração. O coordenador do seminário clínico convida um relator de caso clínico e dois comentadores reservando tempo para a participação do público.
De acordo com a grade horária do evento, há espaço para 2 (dois) Seminários clínicos.
A inscrição dos seminários clínicos será até 31 de maio de 2026. O propositor do seminário clínico deverá ser um membro AUPPF que será o coordenador, podendo ser o relator do caso clínico.
A proposta deve ser encaminhada pelo(a) coordenador(a) do Seminário para a AUPPF, através do e-mail congressopsicopatologia2026@gmail.com contendo as seguintes informações:
- Título claro e preciso do Seminário;
- Nome e endereço completo do coordenador-propositor (incluindo e-mail);
- Nome e endereço completo dos comentadores (incluindo e-mail);
- Breve nota curricular do coordenador e dos participantes;
- Resumo do caso em 1050 caracteres com espaço, em Times New Roman, corpo 12.
Baixe aqui a ficha de inscrição para os seminários clínicos.
Posters
REGRAS PARA SUBMISSÃO DE POSTERS
Pôster, com dimensões de 0,90 cm de largura x 1,40 cm de comprimento, com dia e hora previstos para o(s) autor(ers) junto a seus trabalhos apresentarem e esclarecerem aos interessados. Deverá ser proposto à AUPPF, até 30 de junho de 2026, por e-mail congressopsicopatologia2026@gmail.com contendo as seguintes informações:
- Título claro e preciso do trabalho;
- Nome e endereço completo do (s) autor(es) (incluindo e-mail);
- Breve nota curricular do(s) autor(es);
- Resumo de 1050 caracteres com espaço em Times New Roman, corpo 12.
O conteúdo do pôster deve ser enviado, pelo e-mail congressopsicopatologia2026@gmail.com, até 31 de julho de 2026. Os autores ficarão responsáveis pelo transporte do pôster até o local de exposição, bem como de sua retirada no final do evento.
A publicação dos trabalhos nos Anais é optativa. Os autores que não quiserem ter seus trabalhos publicados nos Anais devem declarar.
Os trabalhos a serem publicados nos Anais devem ter declaração com os seguintes dizeres: “Eu/Nos … autor(es) do trabalho intitulado …, o qual submeto(emos) à apreciação da Comissão Executiva do VI Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental e XII Congresso Brasileiro de Psicopatologia Fundamental, concordo(amos) que os direitos autorais a eles referentes se tornem propriedade exclusiva da Associação Universitária de Pesquisa em Psicopatologia Fundamental – AUPPF, sendo vedada qualquer reprodução total ou parcial, em qualquer outra parte ou meio de divulgação impressa ou virtual sem que a prévia e necessária autorização seja solicitada por escrito e obtida junto à AUPPF. Data e assinatura(s).
Comprovante de pagamento da taxa de inscrição no Congresso até dia 31 de julho de 2026.
A Comissão Organizadora do Congresso elegerá o melhor pôster, que receberá um certificado de excelência como prêmio.
A Comissão Organizadora poderá, a seu exclusivo critério, indicar mais dois pôsters para receber certificado de Menção Honrosa, pela qualidade do trabalho apresentado.
Baixe aqui a ficha de inscrição para os posters.
Inscrição
- Valores
| Categoria | Valor até 30/06/2026 | Valor após 30/06/2026 |
| Estudante * | ||
| Associado da AUPPF | ||
| Profissional |
- Orientações para inscrição
- Preencher a ficha de inscrição neste hotsite;
- Efetuar o pagamento, através de depósito bancário ou PIX (Chave 05.400.274/0001-91) em nome: Associação Universitária de Pesquisa em Psicopatologia Fundamental – Banco Itaú (341) – Agência 3171. Conta Corrente 02332-2 – CNPJ 05.400.274/0001-91
- Enviar o comprovante de pagamento através do e-mail: congressopsicopatologia2026@gmail.com com seu nome completo. As inscrições somente serão confirmadas após comprovação do pagamento da taxa de inscrição correspondente. O comprovante de categoria “estudante” deverá ser anexado.
- As inscrições prévias encerram-se em 31 de agosto de 2026, ou antes se as vagas esgotarem.
- O recibo somente será fornecido mediante solicitação.
- Política de Cancelamento: A Secretaria somente receberá pedidos de cancelamento de inscrição enviados por escrito até o dia 31 de julho de 2026. O reembolso será de 50% da taxa de inscrição, pagável até 45 dias após o término do Congresso. Não serão aceitos pedidos de reembolso após 31 de julho de 2026.
3 . Ficha de inscrição
Encaminhar o comprovante de pagamento e comprovante de matrícula (no caso de estudante) para o e.mail: congressopsicopatologia2026@gmail.com
Programação (provisória)
Em elaboração
Agência de Turismo
[Texto da agência de turismo.]
Certificados
Encaminhado por e-mail após o evento
Apoios e patrocínios
[Textos e logos dos apoiadores e patrocinadores]
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